Bad memories.

Confesso que nunca te perdoei. E talvez não te perdoe em dia nenhum. Não só a ti, mas também a quem eu considerava/considero meu amigo e nada fez naquele dia tão monstruoso que por vezes a minha mente recorda. Como me senti suja naqueles dias a seguir... Aquela atrocidade toda a que assististe e nada fizeste. Eu nada pude fazer. Sempre fui frágil, o meu pior defeito confesso. Talvez ainda hoje não seja tão forte quanto gostaria. Talvez ainda hoje eu não me consiga defender de monstros como aqueles por quem passo nos corredores mais horrendos da vida. Talvez um dia eu me veja livre desta memória infeliz. Talvez a partir desse dia eu não tenha nada a perdoar. Nunca tive ninguém que fosse capaz de me defender... E eu que sempre precisei de um anjo da guarda e me defendesse do mal. Mas talvez esse anjo da guarda tivesse que ser eu própria, depois, apenas depois quando tinha de me defender da minha mente que tudo recorda ao pormenor. Eu não pedia que os enfrentasses. Não pediria tal coisa nem a ti, nem a ninguém. Gostava apenas que alguma coisa tivesse sido feita. Gostava que em todas essas ocasiões de maldade alguém fizesse alguma coisa por mim em vez de apenas assistir da plateia. Porque nunca ninguém faz nada, e no meio disto tudo sou sempre eu que acabo por sofrer sem ninguém fazer nada ou nada saber dizer.

2 comentários:

Liv. disse...

Ao ler as tuas palavras revi-me numa situação passada em que também gostava que alguém tivesse feito algo por mim. Compreendo o que sentes, mas isso um dia passa. E ficarás livre dessa memória de sofrimento.

Liv. disse...

Vais ver que sim minha querida, tudo passa. Gostava que isso acontecesse, mas acho que eu mesma já não acredito nisso. Nem porque ainda tento falar com ele. Penso que é demasiado imaturo para ter uma conversa séria e tentar perceber as coisas. Acho que o melhor para mim é mesmo tentar esquecer e seguir em frente, por muito duro que seja.