Sinto-me leve. Tranquila. Não tenho nada a esconder... Já aliviei a minha alma e agora sinto-me realmente em paz, sem nada por contar ou com nada a duvidar. Porque eu duvido sempre de tudo e nunca chego a conclusão nenhuma, segundo Descartes então nada é verdadeiro porque eu duvido sempre e nunca consigo deixar de duvidar. E realmente é tudo falso mesmo. Chego sempre a um ponto em que só penso que estava a fazer filmes a mais e por isso mais vale esquecer aquele assunto. E apesar de nunca esquecer totalmente, também não chego a lugar nenhum em relação a ele. Às vezes mais vale assim, na dúvida de tudo e na resposta do nada... Não sinto necessidade da resposta a nenhuma pergunta que tenha na mente, a vaguear uns dias mais longe de mim, noutros mais perto... Vai e vem. Agora, estou bem assim. Tenho mais do que dúvidas na minha vida, e as respostas não são tudo. Se existem respostas é porque existem perguntas... E eu posso chegar às palavras por mim, sem questionar e sem ter ninguém que me faça fazer as perguntas. A vida é mais do que isto, porque é mais do que apenas isto que eu quero para mim. Para mim, eu quero tudo aquilo a que sei que tenho direito, e não é pouco. É a felicidade de que ninguém sabe o caminho mas hei-de eu encontrar...
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